A categoria de saúde e beleza faturou R$ 791 milhões no comércio eletrônico brasileiro em 2025, um crescimento de 44% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Nuvemshop. O resultado supera com folga a média geral do mercado digital e coloca o setor como a segunda categoria que mais avançou entre as lojas virtuais do país — atrás apenas de moda, que faturou R$ 2,9 bilhões no período. Casa e jardim (R$ 441 milhões), acessórios (R$ 426 milhões) e joias e semijoias (R$ 308 milhões) completam o topo do ranking, todos em ritmo inferior ao observado em beleza.

Um setor que já é o terceiro maior do mundo

O avanço no digital acompanha a força estrutural do setor: segundo dados da Euromonitor International, o Brasil alcançou em 2025 a posição de terceiro maior mercado global de beleza e cuidados pessoais. Entre os motores desse crescimento estão a popularização de produtos veganos e cruelty-free, a chegada de marcas mais acessíveis e a expansão do consumo masculino — uma combinação que deve sustentar um crescimento médio anual de cerca de 8% até 2030.

O dropshipping perde espaço — e isso é um sinal importante

Um dos dados mais relevantes do levantamento é a queda de 28% no modelo de dropshipping em 2025. A retração é atribuída a fatores como a taxação de compras internacionais, a valorização do dólar e o aumento do custo de aquisição de clientes, que juntos pressionaram a rentabilidade desse formato. Com isso, revenda e fabricação própria seguem como os modelos operacionais predominantes entre as lojas virtuais de beleza no Brasil — um ponto de atenção para quem ainda depende de fornecedores no exterior sem estoque próprio.

A distribuição B2B também está mudando

O movimento não se limita à venda direta ao consumidor. Compradores B2B do setor de beleza — lojistas, salões, distribuidores — já esperam uma experiência de compra tão simples quanto a que teriam como consumidores finais, sem depender de ligações telefônicas ou longas trocas de e-mail com fornecedores, segundo levantamento da Shopify sobre comércio B2B de beleza. Marketplaces atacadistas como a Faire, que oferecem prazos de pagamento estendidos de até 60 dias para varejistas, ilustram essa transição para um modelo de compra corporativa mais digital e ágil.

Logística especializada vira diferencial competitivo

Outro ponto que separa operações bem-sucedidas nesse cenário é a sofisticação logística. Empresas de fulfillment especializadas em beleza, como a Infracommerce na América Latina, estruturam centros de distribuição com controle de estoque orientado por dados e o modelo FIFO (primeiro que entra, primeiro que sai) — essencial para categorias com validade, como dermocosméticos e protetores solares —, além de integrar atendimento ao cliente dentro do próprio centro de distribuição para acelerar a resolução de problemas pós-venda.

O que isso significa pra quem distribui e revende beleza

O crescimento do e-commerce de beleza é real, mas vem acompanhado de uma exigência operacional maior: o modelo de baixo controle e baixa margem do dropshipping perde espaço para operações com estoque próprio, fulfillment especializado e relacionamento B2B mais direto com fornecedores — uma mudança de patamar que separa quem só vende de quem constrói uma operação de distribuição sólida.